Design Thinking: o que é e como aplicá-lo ao seu negócio?

Design Thinking: o que é e como aplicá-lo ao seu negócio?

O Design Thinking já é usado por grandes organizações para auxiliar a tomada de decisão. Aprenda como aplicar essa abordagem no seu negócio.

Imagine se existisse uma abordagem que auxiliasse o processo de tomada de decisão, dando uma visão mais ampla de todas as opções disponíveis? Essa abordagem não só existe como já é utilizada por empresas como Nike, Procter & Gamble e Apple para a solução de problemas e maximização de lucros.

Estamos falando do Design Thinking. Mas não se preocupe, pois apesar do nome, ele não está relacionado apenas aos profissionais de design.

Neste momento, você deve estar pensando: “A Nike e a Apple são empresas grandes, portanto, para fazer o Design Thinking, eu precisarei ter muito dinheiro e muitos funcionários”. Errou de novo! O Design Thinking não está relacionado à recursos, e sim à maneira que utilizamos aquilo que já temos em mãos.

No post de hoje, nós vamos desmistificar esses e outros mitos sobre o Design Thinking e mostrar como você pode aplicá-lo no seu negócio.

Você verá também:

O que é Design Thinking?
Como surgiu essa abordagem?
Quais são as etapas do Design Thinking?
É possível aplicar o Design Thinking em pequenos negócios?
Como usar sua persona no Design Thinking?

O que é Design Thinking?

Para falar sobre o que é Design Thinking, precisamos entender o que ele não é. Design Thinking não é uma metodologia. A palavra “metodologia” implica dizer que existe uma fórmula pronta e um passo a passo para seguir.

Design Thinking não é solução, ele é apenas um caminho para encontrar a solução, que será diferente conforme cada problema.

Design Thinking não é sobre design, apesar de ser inspirado nesta área de conhecimento.

Mas afinal, o que é Design Thinking? Nas palavras de Arne Von Oosterom, fundador do Design Thinkers Group:

Design Thinking é uma abordagem para inovação centrada no ser humano. Combina o pensamento criativo ao pensamento de negócios para gerar valor e prover soluções de longo prazo.

Em poucas palavras, o Design Thinking ajuda a definir objetivos e traçar os melhores caminhos para alcançar estes resultados e, principalmente, para mantê-los e otimizá-los.

Como surgiu essa abordagem?

Apesar de ter ganhado força com o desenvolvimento da internet e das novas tecnologias, o Design Thinking surgiu há mais de 70 anos, o que significa que ele é mais velho do que muita gente que está lendo este texto.

De acordo com o site Interaction Design Foundation, a ideia de usar novas abordagens para problemas complexos ganhou força na Segunda Guerra Mundial, um evento que mudou drasticamente os modelos de gestão, produção e design, adaptando estes processos para produção em grande escala.

Engenheiros, arquitetos e até mesmo cientistas começaram a convergir para a resolução de problemas de forma coletiva, impulsionados pelas mudanças sociais que ocorreram nesse período, incluindo o surgimento de novas potências globais e novas tendências de consumo.

Essa forma de pensar foi evoluindo até o princípio da década de 50, quando as primeiras referências de Design Thinking foram aplicadas em outras áreas de conhecimento como comunicação e indústria farmacêutica. Com o passar dos anos, outros profissionais viram que era possível alavancar seus resultados, ao “dar um passo para trás para visualizar o todo”, e começaram a reestruturar e modernizar processos já existentes, focados em seus objetivos a médio e longo prazo.

Todo esse processo evolutivo culminou no modelo de Design Thinking que é aplicado hoje, que é a junção de três fatores: o que as pessoas querem + o que é viável para o mercado + o que é tecnologicamente possível.

Quais são as etapas do Design Thinking?

Vamos usar o exemplo de um produtor digital para apresentar cada fase do Design Thinking. João Pedro tem um curso online sobre culinária vegana que vendia bem, no entanto, ele está gastando muito com campanhas na rede de anúncios, o que faz com que o custo de aquisição de seus clientes seja muito alto.

Ele decide então parar de fazer anúncios e suas vendas caem 37%.

Imersão: identificando um problema

Para resolver um problema é preciso, antes de mais nada, conhecer sua origem. Na maioria dos casos, os empreendedores nem sabem que têm um problema, pois estão obtendo bons resultados.

No entanto, se eles fizessem uma mudança simples na rotina operacional, poderiam ter um resultado ainda melhor. Ou seja, o problema nem sempre é algo de proporções catastróficas, ele pode ser apenas uma oportunidade de melhoria que você está deixando passar.

A etapa de imersão consiste em avaliar o desempenho da sua empresa e a qualidade do seu produto, considerando o ponto de vista de todos os envolvidos: pessoas da sua equipe, fornecedores e cliente final.

Para isso são feitas várias pesquisas, entrevistas com consumidores e busca de tendências (Cool Hunting), mas, principalmente, muitos exercícios de observação. A observação é o que permite diferenciar o que as pessoas realmente fazem/gostam, daquilo que elas falam que fazem/gostam.

Mas não se preocupe que você não precisará seguir nenhum cliente seu na rua. Atualmente, existem ferramentas que te ajudam a observar seu cliente sem precisar sair do computador.

No caso do João Pedro, podem estar acontecendo dois problemas:

As pessoas não percebem valor na oferta dele: Muitos usuários acessam a página de vendas, mas não se sentem confiantes para fazer a compra, pois não entendem como aquele produto pode ajudá-las a resolver um problema.

A segmentação das campanhas está errada: O custo por clique está alto, porque o anúncio está aparecendo para pessoas que não têm interesse pelo produto.

Ideação: pensando em soluções

Depois que você identificou o problema, que também pode ser uma oportunidade de melhoria, está na hora de fazer um brainstorming, do português, “tempestade de ideias”, que é, basicamente, propor ideias sem nenhum julgamento.

Não se apegue demais ao aspecto prático! Apenas pense nas soluções que você acha que poderiam agregar valor à jornada de compra do seu cliente. Acredite, você terá tempo suficiente para validar se sua ideia é aplicável, na próxima etapa.

Não há limite de ideias nessa fase. Mas é importante que mais pessoas participem do brainstorming, incluindo aquelas que podem ser beneficiadas com as soluções propostas. Ao final desse processo, não se esqueça de documentar suas ideias.

Se você realmente se dedicar nessa etapa, a lista tende ao infinito!

Ideias que podem ajudar o João a melhorar suas vendas ou reduzir seu custo com anúncios:

– criar minicursos online para as pessoas conhecerem melhor o produto;
– anunciar em sites específicos de produtos veganos;
– oferecer degustação de pratos veganos em restaurantes;
– criar um game interativo na sua página de vendas, etc.

Prototipagem: colocando sua ideia em prática

A prototipação é a etapa de validar as ideias apresentadas, ver o que se encaixa no seu projeto e colocar seu plano em prática.

Apesar de ser a última etapa da sua trajetória, a prototipação pode acontecer em paralelo às outras fases. Como isso funcionaria? Você tem uma ideia, cria um protótipo, testa para um público menor e avalia os resultados. Dependendo do desempenho, essa ideia pode ser implementada, mas isso não te impede de testar outras soluções para o mesmo problema.

O João decidiu criar um desafio online para aumentar o engajamento da sua audiência. O ganhador do game tem acesso ao produto. A ideia aumentou o tráfego para a página de vendas, mas ele vendeu poucas unidades. Nesse caso, ele pode descobrir formas de otimizar o game ou partir para outra, e assim, sucessivamente.

É possível aplicar o Design Thinking em pequenos negócios?

Com o exemplo do João, foi possível perceber que o Design Thinking pode ser aplicado em negócios de diferentes portes.

A diferença do seu empreendimento para a Nike está na quantidade de recursos que você tem para investir e na quantidade de pessoas que estarão envolvidas no processo, que no seu caso é bem menor.

Fazer uma análise exaustivamente ampla antes de cada decisão pode parecer trabalhoso, mas é exatamente o contrário. Uma vez que você toma decisões empáticas, baseadas nas percepções dos seus clientes e parceiros, fica muito mais fácil oferecer uma boa experiência de compra e, consequentemente, fortalecer sua reputação online.

Existem algumas ferramentas que podem te ajudar nas diferentes etapas do Design Thinking.

  • Análise SWOT ou Análise FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) – Serve para identificar os pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças à sua empresa.
  • Benchmarking – Procure saber o que as empresas do seu nicho estão fazendo, isso pode te ajudar a identificar oportunidades de melhoria no seu negócio. Os buscadores (Google, Youtube, Bing) são seus maiores aliados para realizar essas pesquisas!
  • Além da própria construção da persona que vamos apresentar detalhadamente no próximo tópico.

Como usar sua persona no Design Thinking?

Todo produto ou serviço é desenvolvido para alguém. Se você começa o seu empreendimento pensando apenas nas suas necessidades, certamente não terá bons resultados, não importa o quão bom o seu produto ou serviço seja.

É aí que entra a figura da persona. A persona é uma representação semifictícia do seu cliente ideal, com suas motivações, desejos, expectativas e necessidades. Esse perfil é criado a partir de pesquisas e análise de dados, que identificam as características mais significativas das pessoas que acessam sua página, compram seu produto ou que te seguem nas redes sociais.

Nós já temos um post muito completo sobre o tema aqui no blog (Sugiro que você leia ele, depois de acabar este aqui). Neste tópico, nós não vamos aprofundar no conceito de persona, e sim mostrar como este personagem auxilia o processo de Design Thinking, respondendo três perguntas simples:

Quando utilizar a persona?

Criar personas é especialmente útil na geração e validação de ideias para um negócio. Considere a fase de Ideação, por exemplo. Você precisa avaliar as dores da sua persona e conhecer suas expectativas para, só então, pensar nas soluções que atendam à essas demandas.

Em muitos casos, você não precisará fazer nenhuma mudança no seu produto, e sim na experiência de compra, o que já ajuda a fazer uma boa economia de tempo e de dinheiro.

Como a persona influencia a escolha da melhor estratégia?

Geralmente, os empreendedores têm dúvidas sobre a quantidade de personas que o seu negócio deve ter. Esse número vai depender do porte do seu negócio, no entanto, quanto mais maduro seu negócio for, mais dados você terá para criar diferentes personas.

O maior benefício de mapear os diferentes perfis do seu consumidor é poder desenvolver soluções personalizadas e eficientes em resposta às necessidades desses grupos, ao invés de uma solução genérica.

Como seu negócio se beneficia com as personas?

Entender melhor o que motiva o seu usuário é a chave para inovar e conquistar a fidelidade. O cliente satisfeito sempre voltará a comprar de você ou indicará o seu serviço para outras pessoas. É um ciclo onde todo mundo vence: o cliente tem uma boa experiência, e você  vende mais.

Design Thinking funciona

Se você chegou até o final deste artigo, deve ter percebido que o Design Thinking é uma abordagem que visa à inovação e solução de problemas a partir de uma perspectiva mais empática e, portanto, funciona para qualquer modelo de negócio.

Afinal, o objetivo de toda empresa é criar um relacionamento duradouro com seus clientes e isso começa por oferecer a melhor experiência de compra possível.

Gostou deste texto? Não se esqueça de contar o que achou aqui nos comentários e sinta-se à vontade para compartilhá-lo nas redes sociais!