
Figuras de linguagem: o que são, os 4 tipos e 40 figuras com exemplos
Figuras de linguagem são recursos que exploram o sentido figurado, a construção das frases e o som das palavras. Veja os 4 tipos, 40 exemplos e como usá-los nas vendas.

O que veremos nesse post:
Figuras de linguagem, também chamadas de figuras de estilo, são recursos que exploram o sentido figurado, a construção das frases ou o som das palavras para tornar uma mensagem mais expressiva, criativa ou marcante. Elas se dividem em quatro grupos: figuras de palavras (como a metáfora), de pensamento (como a ironia), de sintaxe (como a elipse) e de som (como a aliteração).
Elas não são exclusivas da poesia nem um “erro” de português: aparecem em conversas, músicas, propagandas e posts. Quando alguém diz que está “morrendo de fome”, por exemplo, usa uma hipérbole, um exagero proposital para dar ênfase.
A seguir, a gente explica o conceito, mostra as 40 principais figuras com exemplos, as diferenças entre as mais parecidas, como identificá-las em um texto, exercícios com gabarito e como usá-las na comunicação e nas vendas.

O que são figuras de linguagem?
Na prática, as figuras de linguagem funcionam como atalhos de expressão: em vez de explicar algo de forma longa e literal, elas criam uma imagem, um ritmo ou um contraste que o leitor entende na hora. Dizer que alguém tem “um coração de pedra” comunica a frieza dessa pessoa melhor do que uma descrição técnica.
Por isso, elas estão presentes tanto na literatura quanto no dia a dia, em expressões como “cara de pau”, “chover no molhado” e “pé da mesa”. Saber reconhecê-las ajuda a interpretar textos e a escrever bem, já que o bom uso desse recurso faz toda a diferença em qualquer produção de texto.
Denotação e conotação: a base das figuras de linguagem
A denotação é o sentido literal de uma palavra, aquele que está no dicionário; a conotação é o sentido figurado, que depende do contexto. A maioria das figuras de linguagem trabalha com a conotação.
- Denotação: “O vaso caiu e quebrou a pedra da calçada.” (pedra no sentido literal)
- Conotação: “Ela tem um coração de pedra.” (pedra como sinônimo de frieza)
Nem todas as figuras dependem do sentido figurado: as figuras de sintaxe mexem na estrutura da frase, e as de som exploram a sonoridade das palavras.
Quais são os tipos de figuras de linguagem?
As figuras de linguagem são classificadas em quatro tipos: figuras de palavras (ou semânticas), figuras de pensamento, figuras de sintaxe (ou de construção) e figuras de som (ou de harmonia). A tabela resume o que cada grupo faz e quais figuras fazem parte dele.
| Tipo | O que faz | Figuras |
|---|---|---|
| Figuras de palavras (semânticas) | Mudam o sentido de uma palavra ou expressão | Metáfora, comparação, metonímia, sinédoque, catacrese, sinestesia, perífrase, antonomásia, hipálage |
| Figuras de pensamento | Trabalham com a combinação de ideias | Hipérbole, eufemismo, disfemismo, litote, ironia, personificação, antítese, paradoxo, gradação, apóstrofe, alusão, alegoria, reticência |
| Figuras de sintaxe (construção) | Alteram a estrutura da frase por omissão, repetição ou inversão | Elipse, zeugma, hipérbato, anástrofe, polissíndeto, assíndeto, anacoluto, pleonasmo, silepse, anáfora, epístrofe, anadiplose, quiasmo, epizeuxe |
| Figuras de som (harmonia) | Exploram a sonoridade das palavras | Aliteração, assonância, paronomásia, onomatopeia |
As gramáticas nem sempre concordam sobre o grupo de algumas figuras (a alegoria e a apóstrofe, por exemplo, mudam de lugar conforme o autor). O mais importante é entender o efeito de cada uma. Este guia apresenta 40 figuras: 39 com seção própria e a sinédoque, explicada junto da metonímia.
Figuras de palavras
As figuras de palavras, ou semânticas, usam um termo com um sentido diferente do habitual para tornar a comunicação mais expressiva. São elas:
Metáfora
A metáfora é uma comparação implícita: atribui a um ser características de outro, sem usar conectivos como “como” ou “tal qual”.
- Exemplo: “O poeta é um fingidor.” (Fernando Pessoa)
- Exemplo: “A madrasta tinha um coração de pedra.”
- Exemplo: “Janaína é uma flor.”
Ninguém entende que o coração é feito de pedra: a metáfora transmite que a madrasta é insensível. É uma das figuras mais usadas no dia a dia, muitas vezes sem que a gente perceba.
Comparação ou símile
A comparação aproxima dois elementos de forma explícita, com conectivos como “como”, “tal qual” ou “assim como”.
- Exemplo: “Seus olhos eram brilhantes como esmeraldas.”
Quando a comparação se estende para explicar uma ideia por meio de outra mais conhecida, ela também é chamada de analogia, como em “assim como uma planta precisa ser regada para crescer, o ser humano precisa se alimentar bem”.
Metonímia
A metonímia substitui um termo por outro com o qual mantém uma relação de proximidade, como autor pela obra, recipiente pelo conteúdo ou marca pelo produto.
- Exemplo: “João comeu três pratos de macarronada.” (o conteúdo, e não os pratos)
- Exemplo: “Adoro ler Machado de Assis.” (as obras do autor)
Quando a relação é de parte pelo todo, singular pelo plural ou espécie pelo gênero, ela também é chamada de sinédoque, como em “Não há teto para todos” (casa) ou “Ganhar o pão de cada dia” (alimento).
Catacrese
A catacrese é o uso de uma palavra fora do seu sentido original porque não existe um termo mais específico.
- Exemplo: “O pé da mesa está quebrado.”
- Exemplo: “Embarcou no avião.”
Com o tempo, essas expressões viram parte da língua e ninguém mais percebe a figura.
Sinestesia
A sinestesia mistura sensações percebidas por sentidos diferentes, como tato, visão, olfato e paladar.
- Exemplo: “O cheiro doce do jardim da minha infância.” (olfato e paladar)
- Exemplo: “Ele lançou um olhar frio.” (visão e tato)
Perífrase
A perífrase substitui uma palavra por uma expressão que a identifica por suas características.
- Exemplo: “O rei dos animais dormia.” (leão)
- Exemplo: “A Cidade Maravilhosa recebeu milhares de turistas.” (Rio de Janeiro)
Antonomásia
A antonomásia é um tipo de perífrase em que uma pessoa é chamada por um apelido ou característica marcante.
- Exemplo: “O Poeta dos Escravos escreveu O Navio Negreiro.” (Castro Alves)
- Exemplo: “O Rei do Futebol jogou no Santos.” (Pelé)
Hipálage
A hipálage atribui a um ser uma característica que pertence a outro elemento da mesma frase.
- Exemplo: “Ele fumava um cigarro pensativo.” (quem estava pensativo era ele, e não o cigarro)
Figuras de pensamento
As figuras de pensamento trabalham com a combinação de ideias e com o sentido do que é dito, seja para exagerar, suavizar, contrastar ou ironizar. São elas:
Hipérbole
A hipérbole é um exagero intencional para dar ênfase a uma ideia.
- Exemplo: “Estou morrendo de fome.”
- Exemplo: “Já te falei isso mil vezes.”
Ninguém está morrendo de verdade: o exagero só reforça a mensagem. É muito usada na fala e na publicidade, e por isso exige cuidado em textos de venda.
Eufemismo
O eufemismo suaviza uma ideia desagradável, triste ou chocante.
- Exemplo: “Meu avô descansou em paz.” (morreu)
- Exemplo: “Ele faltou com a verdade.” (mentiu)
Disfemismo
O disfemismo é o contrário do eufemismo: usa uma expressão mais dura, grosseira ou depreciativa no lugar de uma neutra.
- Exemplo: “Ele bateu as botas.” (morreu)
Litote
A litote afirma algo negando o seu contrário, o que suaviza a mensagem. É considerada o oposto da hipérbole.
- Exemplo: “Essa blusa não é barata.” (é cara)
- Exemplo: “Ele não é nada bobo.” (é esperto)
Ironia
A ironia diz o contrário do que se pensa, com intenção crítica ou de humor, e depende do contexto para ser entendida.
- Exemplo: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis.” (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
- Exemplo: “Que ótimo, choveu bem no dia do piquenique.”
Quando a ironia é mais agressiva e tem a intenção de ferir, recebe o nome de sarcasmo.
Personificação ou prosopopeia
A personificação atribui características, ações ou sentimentos humanos a objetos, animais ou ideias.
- Exemplo: “A manhã acordou feliz.”
- Exemplo: “O vento sussurrava segredos pela janela.”
Antítese
A antítese aproxima palavras ou ideias de sentidos opostos para reforçar um contraste.
- Exemplo: “João e Maria tinham uma relação de amor e ódio.”
- Exemplo: “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, / Depois da Luz se segue a noite escura” (Gregório de Matos)
Paradoxo ou oxímoro
O paradoxo une ideias que se contradizem em uma mesma afirmação, criando um sentido que parece impossível, mas faz pensar.
- Exemplo: “Amor é fogo que arde sem se ver, / é ferida que dói, e não se sente;” (Luís de Camões)
- Exemplo: “Ela sentia uma solidão povoada.”
Quando a contradição está em duas palavras lado a lado, como “silêncio ensurdecedor”, esse paradoxo também é chamado de oxímoro.
Gradação
A gradação apresenta ideias em sequência, de forma crescente (clímax) ou decrescente (anticlímax).
- Exemplo: “Primeiro calma, depois irritada, por fim furiosa.” (clímax)
- Exemplo: “Era um gigante, depois um homem comum, e então quase nada.” (anticlímax)
Apóstrofe
A apóstrofe é a interpelação direta a alguém ou algo, real ou imaginário, presente ou ausente, para dar ênfase.
- Exemplo: “Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus!” (Castro Alves, O Navio Negreiro)
Alusão
A alusão faz referência a uma pessoa, obra, fato ou personagem conhecido para reforçar uma ideia.
- Exemplo: “Nosso amor era como o de Romeu e Julieta.”
A citação aos personagens de Shakespeare ajuda o leitor a entender o tamanho da paixão sem precisar descrevê-la.
Alegoria
A alegoria é uma sequência de metáforas que constrói um sentido simbólico ao longo de um texto inteiro.
- Exemplo: o Mito da Caverna, de Platão, em que prisioneiros que só enxergam sombras representam as pessoas presas às aparências, e a saída da caverna representa o caminho até o conhecimento.
Fábulas e parábolas também são alegorias clássicas. Em escala menor, uma metáfora estendida, como “O amor é uma montanha-russa: sobe em alta velocidade e, de repente, despenca em curvas que tiram o fôlego”, dá uma ideia do recurso. Símbolos, como a pomba branca para representar a paz, costumam aparecer nas alegorias.
Reticência ou aposiopese
A reticência interrompe uma frase de propósito, deixando o restante subentendido para o leitor.
- Exemplo: “Se eu contar o que vi naquela festa…”
Figuras de sintaxe ou construção
As figuras de sintaxe alteram a estrutura gramatical da frase, por omissão, repetição ou inversão de termos, para dar ênfase ou ritmo. São elas:
Elipse
A elipse omite um termo que fica fácil de identificar pelo contexto.
- Exemplo: “Na mesa, apenas um livro.” (havia)
- Exemplo: “Tomara você goste.” (que)
Zeugma
O zeugma é um tipo de elipse em que se omite um termo já usado antes na frase, geralmente um verbo.
- Exemplo: “Paulo foi de bicicleta; eu, de patins.” (fui)
A vírgula depois de “eu” marca o lugar do verbo omitido. O recurso evita repetições e deixa a frase mais enxuta.
Hipérbato
O hipérbato inverte a ordem direta da frase (sujeito, verbo e complementos) para destacar algum termo.
- Exemplo: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante” (Hino Nacional, letra de Joaquim Osório Duque Estrada)
Na ordem direta, seria: “As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico”.
Anástrofe
A anástrofe é uma inversão mais leve, em que o termo determinante vem antes do determinado.
- Exemplo: “Da praia as ondas chegavam devagar.” (As ondas da praia chegavam devagar.)
Polissíndeto
O polissíndeto repete conectivos, como “e”, “nem” e “ou”, para criar ritmo ou sensação de acúmulo.
- Exemplo: “As crianças corriam, e pulavam, e gritavam, e riam.”
Assíndeto
O assíndeto é o oposto do polissíndeto: omite conectivos entre termos ou orações.
- Exemplo: “Vim, vi, venci.” (frase atribuída a Júlio César)
- Exemplo: “Ribamar comprou frango para o almoço, peixe para o jantar.”
Anacoluto
O anacoluto é uma quebra na estrutura da frase: um termo fica solto, sem função sintática clara.
- Exemplo: “Eu, parece que tudo vai dar certo.”
Pleonasmo
O pleonasmo repete uma ideia de forma intencional para reforçá-la.
- Exemplo: “Vi com meus próprios olhos.”
- Exemplo: “A mim me parece justo.”
Quando a repetição não tem função expressiva, como em “subir para cima”, vira vício de linguagem.
Silepse
A silepse é a concordância feita com a ideia, e não com a palavra escrita. Pode ser de gênero, de número ou de pessoa.
- silepse de gênero: “São Paulo é cheia de surpresas.” (concorda com “a cidade” de São Paulo);
- silepse de número: “A turma chegou cedo e logo foram para a sala.” (concorda com “os alunos”);
- silepse de pessoa: “Os brasileiros somos apaixonados por futebol.” (concorda com “nós”).
Anáfora
A anáfora repete uma ou mais palavras no início de frases ou versos seguidos.
- Exemplo: “Nosso céu tem mais estrelas, / Nossas várzeas têm mais flores, / Nossos bosques têm mais vida, / Nossa vida mais amores.” (Gonçalves Dias, Canção do Exílio)
Epístrofe
A epístrofe repete uma ou mais palavras no fim de frases ou versos seguidos.
- Exemplo: “Busquei você na rua, na praça, na cidade. Esperei você na chuva, no frio, na cidade.”
Anadiplose
A anadiplose repete a última palavra de uma frase ou verso no início da frase ou verso seguinte.
- Exemplo: “Ela me deu um sorriso, sorriso que nunca esqueci.”
Quiasmo
O quiasmo repete termos em ordem cruzada (A, B, B, A), criando um efeito de espelho.
- Exemplo: “Comer para viver, e não viver para comer.”
Epizeuxe
A epizeuxe repete a mesma palavra em sequência, sem nada entre elas, para dar intensidade.
- Exemplo: “Corre, corre, corre, que o ônibus está saindo!”
Figuras de som ou harmonia
As figuras de som exploram a sonoridade das palavras e são muito usadas em poemas, músicas, slogans e trava-línguas. São elas:
Aliteração
A aliteração repete sons consonantais (de consoantes) próximos.
- Exemplo: “Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vozes veladas” (Cruz e Sousa)
- Exemplo: “O peito do pé de Pedro é preto.”
Assonância
A assonância repete sons vocálicos (de vogais) próximos.
- Exemplo: “A casa da Ana, branca e alta, ficava na estrada da praia.” (repetição do som de “a”)
Paronomásia
A paronomásia aproxima palavras de som parecido e significados diferentes.
- Exemplo: “O cavaleiro, muito cavalheiro, ajudou a senhora.”
- Exemplo: “O cumprimento do contrato depende do comprimento do prazo.”
Onomatopeia
A onomatopeia é uma palavra que imita um som ou ruído.
- Exemplo: “O tique-taque do relógio não me deixava dormir.”
- Exemplo: “Pocotó, pocotó, lá vinha o cavalo.”
Diferença entre figuras de linguagem parecidas
Algumas figuras de linguagem costumam ser confundidas porque têm efeitos parecidos. A tabela mostra como diferenciar as principais:
| Figuras | Diferença | Exemplo |
|---|---|---|
| Metáfora x comparação | A comparação usa conectivo (“como”); a metáfora, não | “Olhos como esmeraldas” (comparação) x “Olhos de esmeralda” (metáfora) |
| Antítese x paradoxo | Na antítese, as ideias opostas convivem; no paradoxo, se contradizem na mesma afirmação | “Amor e ódio” (antítese) x “Ferida que dói e não se sente” (paradoxo) |
| Eufemismo x litote | O eufemismo troca a expressão por outra mais suave; a litote nega o contrário | “Faltou com a verdade” (eufemismo) x “Não disse a verdade toda” (litote) |
| Eufemismo x disfemismo | Um suaviza; o outro torna a expressão mais dura | “Descansou em paz” x “Bateu as botas” |
| Metonímia x sinédoque | A sinédoque é um tipo de metonímia, baseado na relação de parte e todo | “Ler Machado” (metonímia) x “Não há teto para todos” (sinédoque) |
| Elipse x zeugma | No zeugma, o termo omitido já apareceu antes na frase | “Na mesa, um livro” (elipse) x “Eu fui de carro; ela, de ônibus” (zeugma) |
| Polissíndeto x assíndeto | Um repete os conectivos; o outro os omite | “E ria, e cantava, e dançava” x “Ria, cantava, dançava” |
| Anáfora x epístrofe | A anáfora repete no início; a epístrofe, no fim | “Nosso céu…, nossas várzeas…” x “… na cidade. … na cidade.” |
| Aliteração x assonância | A aliteração repete consoantes; a assonância, vogais | “O peito do pé de Pedro” x “A casa da Ana” |
| Pleonasmo x vício de linguagem | O pleonasmo literário tem função expressiva; o vicioso é só repetição | “Vi com meus próprios olhos” x “Subir para cima” |
Figuras de linguagem x vícios de linguagem
As figuras de linguagem são desvios intencionais, que dão expressividade ao texto; os vícios de linguagem são desvios não intencionais, que prejudicam a clareza. Os vícios mais comuns são:
- ambiguidade ou anfibologia: duplo sentido não intencional, como em “Carlos disse a Antônio que sua mãe havia chegado” (a mãe de quem?);
- pleonasmo vicioso: repetição sem função, como “entrar para dentro” ou “elo de ligação”;
- cacofonia: som desagradável ou ridículo na junção de palavras, como em “boca dela”;
- eco: repetição de sons iguais no fim das palavras, como em “a solução da questão da nação”;
- barbarismo: erro de grafia, pronúncia ou significado, como “poblema”;
- solecismo: erro de sintaxe, como em “fazem dois anos” (em vez de “faz dois anos”).
A ambiguidade, porém, pode ser usada de propósito, como em piadas e propagandas com duplo sentido. Nesses casos, ela deixa de ser vício e passa a ser recurso expressivo. Um editor de texto ajuda a encontrar repetições e vícios na revisão.
Como identificar figuras de linguagem em um texto?
Para identificar uma figura de linguagem, observe se a frase foge do sentido literal, da ordem comum ou da sonoridade habitual, e descubra qual efeito esse desvio cria. Na prática, siga estes passos:
- Leia a frase em voz alta e veja se ela faz sentido no sentido literal.
- Se não fizer, procure palavras usadas em sentido figurado (figuras de palavras e de pensamento).
- Veja se há exagero, suavização, contraste ou ironia.
- Observe a estrutura: há termos omitidos, repetidos ou fora da ordem direta? (figuras de sintaxe)
- Repare nos sons: há repetição de consoantes, vogais ou palavras parecidas? (figuras de som)
- Pergunte qual é o efeito pretendido (ênfase, humor, crítica, ritmo) e confirme a figura.
Uma mesma frase pode ter mais de uma figura ao mesmo tempo. O verso “Amor é fogo que arde sem se ver”, de Camões, por exemplo, tem metáfora e paradoxo.
Exercícios de figuras de linguagem com gabarito
Para fixar o conteúdo, identifique a figura de linguagem principal em cada frase. As respostas comentadas estão logo abaixo dos exercícios.
- “Esperei uma eternidade na fila do banco.”
- “Meu coração é um jardim depois da chuva.”
- “Ela corria rápida como um raio.”
- “O vento cantava nas frestas da janela.”
- “Entre risos e lágrimas, ela terminou o curso.”
- “Bebi dois copos de suco antes de sair.”
- “No céu, nenhuma nuvem.”
- “Acordou, tomou café, saiu correndo.”
- “O rato roeu a roupa do rei de Roma.”
- “Sentiu uma alegre tristeza ao se despedir.”
Gabarito comentado
- Hipérbole. “Uma eternidade” é um exagero proposital para enfatizar que a espera foi longa.
- Metáfora. O coração é aproximado de um jardim sem conectivo, para sugerir alívio e renovação.
- Comparação ou símile. A semelhança com o raio é feita de forma explícita, com o conectivo “como”.
- Personificação ou prosopopeia. Cantar é uma ação humana atribuída ao vento.
- Antítese. “Risos” e “lágrimas” são ideias opostas aproximadas para reforçar o contraste.
- Metonímia. “Copos” está no lugar do conteúdo, o suco: é a relação de recipiente pelo conteúdo.
- Elipse. O verbo “havia” foi omitido e é fácil de recuperar pelo contexto.
- Assíndeto. As ações aparecem em sequência, sem conectivos como “e”.
- Aliteração. O som consonantal do “r” se repete em quase todas as palavras.
- Paradoxo (oxímoro). “Alegre” e “tristeza” se contradizem lado a lado e criam um sentido que faz pensar.
Figuras de linguagem na comunicação e nas vendas
Fora da escola e da literatura, as figuras de linguagem ajudam a explicar ideias complexas, criar conexão emocional e tornar uma mensagem mais fácil de lembrar. Por isso, aparecem em discursos, propagandas, aulas e posts.
Na comunicação de quem produz conteúdo, uma metáfora bem escolhida transforma um conceito técnico em algo concreto, e uma analogia ajuda o público a entender um assunto difícil, como novas tecnologias, e a interagir mais com o conteúdo. Em blogposts, vídeos e redes sociais, esse recurso aumenta a interação com o público e reforça os argumentos.
Na hora de vender, as figuras ajudam a mostrar a transformação que um produto oferece e a persuadir com mais naturalidade, desde que o texto continue claro e honesto.
Como usar figuras de linguagem em copy e páginas de vendas
Em textos de venda, as figuras de linguagem funcionam melhor quando reforçam um benefício real e deixam a mensagem mais clara, e não quando enfeitam o texto. Veja como usar as principais:
| Figura | Como usar na venda | Exemplo |
|---|---|---|
| Metáfora e analogia | Explicar o método ou o produto com uma imagem conhecida | “Este curso é o mapa para organizar suas finanças.” |
| Antítese | Mostrar o antes e o depois | “Saia do improviso e chegue ao planejamento.” |
| Anáfora | Dar ritmo a títulos e listas de benefícios | “Mais clareza. Mais organização. Mais tempo para você.” |
| Gradação | Apresentar a evolução do aluno em etapas | “Primeiro você entende, depois aplica e, por fim, ensina.” |
| Eufemismo | Falar de dores e dificuldades com respeito | “Para quem está recomeçando” em vez de “para quem fracassou” |
| Aliteração | Criar nomes de produtos e chamadas fáceis de lembrar | “Planeje, poupe e prospere.” |
| Apóstrofe | Falar diretamente com o leitor | “Você, que vive deixando tudo para depois, este guia é para você.” |
A hipérbole pede atenção extra: exageros evidentes, como “um mar de ideias”, funcionam bem, mas promessas como “fique rico em uma semana” podem enganar o consumidor e ferem a confiança. Para aprofundar, veja o guia de copywriting e como criar uma boa chamada para ação.
Figuras de linguagem em roteiros de vídeo e redes sociais
Em vídeos e posts, as figuras de linguagem ajudam a prender a atenção nos primeiros segundos e a deixar a mensagem mais fácil de lembrar e compartilhar. Algumas aplicações práticas:
- ganchos com antítese ou paradoxo, como “Quanto menos você posta, mais você cresce? Depende.”;
- metáforas em títulos e capas, que criam curiosidade sem entregar tudo;
- onomatopeias em legendas e vídeos curtos, que dão ritmo e humor;
- personificação em histórias que seguem a jornada do herói, como “a planilha que vivia reclamando de você”;
- anáfora em falas de abertura e encerramento, para criar uma marca verbal;
- gradação para conduzir a narrativa até a chamada para ação.
Ao montar o roteiro de um vídeo, escolha uma ou duas figuras por trecho: o excesso deixa a mensagem confusa. Para mais dicas de escrita para a internet, veja como produzir conteúdo para a web.
Use as figuras de linguagem a seu favor
As figuras de linguagem tornam a escrita mais criativa, expressiva e fácil de lembrar, seja em uma redação, em um poema ou em uma página de vendas. Conhecer cada uma ajuda a interpretar melhor o que você lê e a escolher o recurso certo para o que você quer dizer.
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Quantas figuras de linguagem existem?
Não há um número fixo. Cada gramática organiza a lista de um jeito, e algumas figuras aparecem com nomes diferentes ou dentro de outras. O que todas têm em comum é a divisão em quatro grupos: palavras, pensamento, sintaxe e som.
Figura de linguagem e figura de estilo são a mesma coisa?
Sim. Os dois nomes são usados como sinônimos, assim como "recurso estilístico". As figuras de palavras também são chamadas de tropos.
Qual a diferença entre figuras de linguagem e funções da linguagem?
As figuras de linguagem são recursos de expressão dentro de uma frase; as funções da linguagem dizem respeito ao objetivo de um texto inteiro, como informar (função referencial), convencer (função conativa) ou emocionar (função emotiva).
Figuras de linguagem caem no Enem e em vestibulares?
Sim, geralmente em questões de interpretação de texto. Mais do que decorar nomes, essas provas costumam pedir que o estudante reconheça o efeito de sentido que a figura cria no texto.


