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Figuras de linguagem: o que são, os 4 tipos e 40 figuras com exemplos

Figuras de linguagem são recursos que exploram o sentido figurado, a construção das frases e o som das palavras. Veja os 4 tipos, 40 exemplos e como usá-los nas vendas.

Lara Azeredo

14/10/2026 | Por

Figuras de linguagem, também chamadas de figuras de estilo, são recursos que exploram o sentido figurado, a construção das frases ou o som das palavras para tornar uma mensagem mais expressiva, criativa ou marcante. Elas se dividem em quatro grupos: figuras de palavras (como a metáfora), de pensamento (como a ironia), de sintaxe (como a elipse) e de som (como a aliteração).

Elas não são exclusivas da poesia nem um “erro” de português: aparecem em conversas, músicas, propagandas e posts. Quando alguém diz que está “morrendo de fome”, por exemplo, usa uma hipérbole, um exagero proposital para dar ênfase.

A seguir, a gente explica o conceito, mostra as 40 principais figuras com exemplos, as diferenças entre as mais parecidas, como identificá-las em um texto, exercícios com gabarito e como usá-las na comunicação e nas vendas.

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O que são figuras de linguagem?

Na prática, as figuras de linguagem funcionam como atalhos de expressão: em vez de explicar algo de forma longa e literal, elas criam uma imagem, um ritmo ou um contraste que o leitor entende na hora. Dizer que alguém tem “um coração de pedra” comunica a frieza dessa pessoa melhor do que uma descrição técnica.

Por isso, elas estão presentes tanto na literatura quanto no dia a dia, em expressões como “cara de pau”, “chover no molhado” e “pé da mesa”. Saber reconhecê-las ajuda a interpretar textos e a escrever bem, já que o bom uso desse recurso faz toda a diferença em qualquer produção de texto.

Denotação e conotação: a base das figuras de linguagem

A denotação é o sentido literal de uma palavra, aquele que está no dicionário; a conotação é o sentido figurado, que depende do contexto. A maioria das figuras de linguagem trabalha com a conotação.

  • Denotação: “O vaso caiu e quebrou a pedra da calçada.” (pedra no sentido literal)
  • Conotação: “Ela tem um coração de pedra.” (pedra como sinônimo de frieza)

Nem todas as figuras dependem do sentido figurado: as figuras de sintaxe mexem na estrutura da frase, e as de som exploram a sonoridade das palavras.

Quais são os tipos de figuras de linguagem?

As figuras de linguagem são classificadas em quatro tipos: figuras de palavras (ou semânticas), figuras de pensamento, figuras de sintaxe (ou de construção) e figuras de som (ou de harmonia). A tabela resume o que cada grupo faz e quais figuras fazem parte dele.

Tipo O que faz Figuras
Figuras de palavras (semânticas) Mudam o sentido de uma palavra ou expressão Metáfora, comparação, metonímia, sinédoque, catacrese, sinestesia, perífrase, antonomásia, hipálage
Figuras de pensamento Trabalham com a combinação de ideias Hipérbole, eufemismo, disfemismo, litote, ironia, personificação, antítese, paradoxo, gradação, apóstrofe, alusão, alegoria, reticência
Figuras de sintaxe (construção) Alteram a estrutura da frase por omissão, repetição ou inversão Elipse, zeugma, hipérbato, anástrofe, polissíndeto, assíndeto, anacoluto, pleonasmo, silepse, anáfora, epístrofe, anadiplose, quiasmo, epizeuxe
Figuras de som (harmonia) Exploram a sonoridade das palavras Aliteração, assonância, paronomásia, onomatopeia

As gramáticas nem sempre concordam sobre o grupo de algumas figuras (a alegoria e a apóstrofe, por exemplo, mudam de lugar conforme o autor). O mais importante é entender o efeito de cada uma. Este guia apresenta 40 figuras: 39 com seção própria e a sinédoque, explicada junto da metonímia.

Figuras de palavras

As figuras de palavras, ou semânticas, usam um termo com um sentido diferente do habitual para tornar a comunicação mais expressiva. São elas:

Metáfora

A metáfora é uma comparação implícita: atribui a um ser características de outro, sem usar conectivos como “como” ou “tal qual”.

  • Exemplo: “O poeta é um fingidor.” (Fernando Pessoa)
  • Exemplo: “A madrasta tinha um coração de pedra.”
  • Exemplo: “Janaína é uma flor.”

Ninguém entende que o coração é feito de pedra: a metáfora transmite que a madrasta é insensível. É uma das figuras mais usadas no dia a dia, muitas vezes sem que a gente perceba.

Comparação ou símile

A comparação aproxima dois elementos de forma explícita, com conectivos como “como”, “tal qual” ou “assim como”.

  • Exemplo: “Seus olhos eram brilhantes como esmeraldas.”

Quando a comparação se estende para explicar uma ideia por meio de outra mais conhecida, ela também é chamada de analogia, como em “assim como uma planta precisa ser regada para crescer, o ser humano precisa se alimentar bem”.

Metonímia

A metonímia substitui um termo por outro com o qual mantém uma relação de proximidade, como autor pela obra, recipiente pelo conteúdo ou marca pelo produto.

  • Exemplo: “João comeu três pratos de macarronada.” (o conteúdo, e não os pratos)
  • Exemplo: “Adoro ler Machado de Assis.” (as obras do autor)

Quando a relação é de parte pelo todo, singular pelo plural ou espécie pelo gênero, ela também é chamada de sinédoque, como em “Não há teto para todos” (casa) ou “Ganhar o pão de cada dia” (alimento).

Catacrese

A catacrese é o uso de uma palavra fora do seu sentido original porque não existe um termo mais específico.

  • Exemplo: “O pé da mesa está quebrado.”
  • Exemplo: “Embarcou no avião.”

Com o tempo, essas expressões viram parte da língua e ninguém mais percebe a figura.

Sinestesia

A sinestesia mistura sensações percebidas por sentidos diferentes, como tato, visão, olfato e paladar.

  • Exemplo: “O cheiro doce do jardim da minha infância.” (olfato e paladar)
  • Exemplo: “Ele lançou um olhar frio.” (visão e tato)

Perífrase

A perífrase substitui uma palavra por uma expressão que a identifica por suas características.

  • Exemplo: “O rei dos animais dormia.” (leão)
  • Exemplo: “A Cidade Maravilhosa recebeu milhares de turistas.” (Rio de Janeiro)

Antonomásia

A antonomásia é um tipo de perífrase em que uma pessoa é chamada por um apelido ou característica marcante.

  • Exemplo: “O Poeta dos Escravos escreveu O Navio Negreiro.” (Castro Alves)
  • Exemplo: “O Rei do Futebol jogou no Santos.” (Pelé)

Hipálage

A hipálage atribui a um ser uma característica que pertence a outro elemento da mesma frase.

  • Exemplo: “Ele fumava um cigarro pensativo.” (quem estava pensativo era ele, e não o cigarro)

Figuras de pensamento

As figuras de pensamento trabalham com a combinação de ideias e com o sentido do que é dito, seja para exagerar, suavizar, contrastar ou ironizar. São elas:

Hipérbole

A hipérbole é um exagero intencional para dar ênfase a uma ideia.

  • Exemplo: “Estou morrendo de fome.”
  • Exemplo: “Já te falei isso mil vezes.”

Ninguém está morrendo de verdade: o exagero só reforça a mensagem. É muito usada na fala e na publicidade, e por isso exige cuidado em textos de venda.

Eufemismo

O eufemismo suaviza uma ideia desagradável, triste ou chocante.

  • Exemplo: “Meu avô descansou em paz.” (morreu)
  • Exemplo: “Ele faltou com a verdade.” (mentiu)

Disfemismo

O disfemismo é o contrário do eufemismo: usa uma expressão mais dura, grosseira ou depreciativa no lugar de uma neutra.

  • Exemplo: “Ele bateu as botas.” (morreu)

Litote

A litote afirma algo negando o seu contrário, o que suaviza a mensagem. É considerada o oposto da hipérbole.

  • Exemplo: “Essa blusa não é barata.” (é cara)
  • Exemplo: “Ele não é nada bobo.” (é esperto)

Ironia

A ironia diz o contrário do que se pensa, com intenção crítica ou de humor, e depende do contexto para ser entendida.

  • Exemplo: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis.” (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
  • Exemplo: “Que ótimo, choveu bem no dia do piquenique.”

Quando a ironia é mais agressiva e tem a intenção de ferir, recebe o nome de sarcasmo.

Personificação ou prosopopeia

A personificação atribui características, ações ou sentimentos humanos a objetos, animais ou ideias.

  • Exemplo: “A manhã acordou feliz.”
  • Exemplo: “O vento sussurrava segredos pela janela.”

Antítese

A antítese aproxima palavras ou ideias de sentidos opostos para reforçar um contraste.

  • Exemplo: “João e Maria tinham uma relação de amor e ódio.”
  • Exemplo: “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, / Depois da Luz se segue a noite escura” (Gregório de Matos)

Paradoxo ou oxímoro

O paradoxo une ideias que se contradizem em uma mesma afirmação, criando um sentido que parece impossível, mas faz pensar.

  • Exemplo: “Amor é fogo que arde sem se ver, / é ferida que dói, e não se sente;” (Luís de Camões)
  • Exemplo: “Ela sentia uma solidão povoada.”

Quando a contradição está em duas palavras lado a lado, como “silêncio ensurdecedor”, esse paradoxo também é chamado de oxímoro.

Gradação

A gradação apresenta ideias em sequência, de forma crescente (clímax) ou decrescente (anticlímax).

  • Exemplo: “Primeiro calma, depois irritada, por fim furiosa.” (clímax)
  • Exemplo: “Era um gigante, depois um homem comum, e então quase nada.” (anticlímax)

Apóstrofe

A apóstrofe é a interpelação direta a alguém ou algo, real ou imaginário, presente ou ausente, para dar ênfase.

  • Exemplo: “Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus!” (Castro Alves, O Navio Negreiro)

Alusão

A alusão faz referência a uma pessoa, obra, fato ou personagem conhecido para reforçar uma ideia.

  • Exemplo: “Nosso amor era como o de Romeu e Julieta.”

A citação aos personagens de Shakespeare ajuda o leitor a entender o tamanho da paixão sem precisar descrevê-la.

Alegoria

A alegoria é uma sequência de metáforas que constrói um sentido simbólico ao longo de um texto inteiro.

  • Exemplo: o Mito da Caverna, de Platão, em que prisioneiros que só enxergam sombras representam as pessoas presas às aparências, e a saída da caverna representa o caminho até o conhecimento.

Fábulas e parábolas também são alegorias clássicas. Em escala menor, uma metáfora estendida, como “O amor é uma montanha-russa: sobe em alta velocidade e, de repente, despenca em curvas que tiram o fôlego”, dá uma ideia do recurso. Símbolos, como a pomba branca para representar a paz, costumam aparecer nas alegorias.

Reticência ou aposiopese

A reticência interrompe uma frase de propósito, deixando o restante subentendido para o leitor.

  • Exemplo: “Se eu contar o que vi naquela festa…”

Figuras de sintaxe ou construção

As figuras de sintaxe alteram a estrutura gramatical da frase, por omissão, repetição ou inversão de termos, para dar ênfase ou ritmo. São elas:

Elipse

A elipse omite um termo que fica fácil de identificar pelo contexto.

  • Exemplo: “Na mesa, apenas um livro.” (havia)
  • Exemplo: “Tomara você goste.” (que)

Zeugma

O zeugma é um tipo de elipse em que se omite um termo já usado antes na frase, geralmente um verbo.

  • Exemplo: “Paulo foi de bicicleta; eu, de patins.” (fui)

A vírgula depois de “eu” marca o lugar do verbo omitido. O recurso evita repetições e deixa a frase mais enxuta.

Hipérbato

O hipérbato inverte a ordem direta da frase (sujeito, verbo e complementos) para destacar algum termo.

  • Exemplo: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante” (Hino Nacional, letra de Joaquim Osório Duque Estrada)

Na ordem direta, seria: “As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico”.

Anástrofe

A anástrofe é uma inversão mais leve, em que o termo determinante vem antes do determinado.

  • Exemplo: “Da praia as ondas chegavam devagar.” (As ondas da praia chegavam devagar.)

Polissíndeto

O polissíndeto repete conectivos, como “e”, “nem” e “ou”, para criar ritmo ou sensação de acúmulo.

  • Exemplo: “As crianças corriam, e pulavam, e gritavam, e riam.”

Assíndeto

O assíndeto é o oposto do polissíndeto: omite conectivos entre termos ou orações.

  • Exemplo: “Vim, vi, venci.” (frase atribuída a Júlio César)
  • Exemplo: “Ribamar comprou frango para o almoço, peixe para o jantar.”

Anacoluto

O anacoluto é uma quebra na estrutura da frase: um termo fica solto, sem função sintática clara.

  • Exemplo: “Eu, parece que tudo vai dar certo.”

Pleonasmo

O pleonasmo repete uma ideia de forma intencional para reforçá-la.

  • Exemplo: “Vi com meus próprios olhos.”
  • Exemplo: “A mim me parece justo.”

Quando a repetição não tem função expressiva, como em “subir para cima”, vira vício de linguagem.

Silepse

A silepse é a concordância feita com a ideia, e não com a palavra escrita. Pode ser de gênero, de número ou de pessoa.

  • silepse de gênero: “São Paulo é cheia de surpresas.” (concorda com “a cidade” de São Paulo);
  • silepse de número: “A turma chegou cedo e logo foram para a sala.” (concorda com “os alunos”);
  • silepse de pessoa: “Os brasileiros somos apaixonados por futebol.” (concorda com “nós”).

Anáfora

A anáfora repete uma ou mais palavras no início de frases ou versos seguidos.

  • Exemplo: “Nosso céu tem mais estrelas, / Nossas várzeas têm mais flores, / Nossos bosques têm mais vida, / Nossa vida mais amores.” (Gonçalves Dias, Canção do Exílio)

Epístrofe

A epístrofe repete uma ou mais palavras no fim de frases ou versos seguidos.

  • Exemplo: “Busquei você na rua, na praça, na cidade. Esperei você na chuva, no frio, na cidade.”

Anadiplose

A anadiplose repete a última palavra de uma frase ou verso no início da frase ou verso seguinte.

  • Exemplo: “Ela me deu um sorriso, sorriso que nunca esqueci.”

Quiasmo

O quiasmo repete termos em ordem cruzada (A, B, B, A), criando um efeito de espelho.

  • Exemplo: “Comer para viver, e não viver para comer.”

Epizeuxe

A epizeuxe repete a mesma palavra em sequência, sem nada entre elas, para dar intensidade.

  • Exemplo: “Corre, corre, corre, que o ônibus está saindo!”

Figuras de som ou harmonia

As figuras de som exploram a sonoridade das palavras e são muito usadas em poemas, músicas, slogans e trava-línguas. São elas:

Aliteração

A aliteração repete sons consonantais (de consoantes) próximos.

  • Exemplo: “Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vozes veladas” (Cruz e Sousa)
  • Exemplo: “O peito do pé de Pedro é preto.”

Assonância

A assonância repete sons vocálicos (de vogais) próximos.

  • Exemplo: “A casa da Ana, branca e alta, ficava na estrada da praia.” (repetição do som de “a”)

Paronomásia

A paronomásia aproxima palavras de som parecido e significados diferentes.

  • Exemplo: “O cavaleiro, muito cavalheiro, ajudou a senhora.”
  • Exemplo: “O cumprimento do contrato depende do comprimento do prazo.”

Onomatopeia

A onomatopeia é uma palavra que imita um som ou ruído.

  • Exemplo: “O tique-taque do relógio não me deixava dormir.”
  • Exemplo: “Pocotó, pocotó, lá vinha o cavalo.”

Diferença entre figuras de linguagem parecidas

Algumas figuras de linguagem costumam ser confundidas porque têm efeitos parecidos. A tabela mostra como diferenciar as principais:

Figuras Diferença Exemplo
Metáfora x comparação A comparação usa conectivo (“como”); a metáfora, não “Olhos como esmeraldas” (comparação) x “Olhos de esmeralda” (metáfora)
Antítese x paradoxo Na antítese, as ideias opostas convivem; no paradoxo, se contradizem na mesma afirmação “Amor e ódio” (antítese) x “Ferida que dói e não se sente” (paradoxo)
Eufemismo x litote O eufemismo troca a expressão por outra mais suave; a litote nega o contrário “Faltou com a verdade” (eufemismo) x “Não disse a verdade toda” (litote)
Eufemismo x disfemismo Um suaviza; o outro torna a expressão mais dura “Descansou em paz” x “Bateu as botas”
Metonímia x sinédoque A sinédoque é um tipo de metonímia, baseado na relação de parte e todo “Ler Machado” (metonímia) x “Não há teto para todos” (sinédoque)
Elipse x zeugma No zeugma, o termo omitido já apareceu antes na frase “Na mesa, um livro” (elipse) x “Eu fui de carro; ela, de ônibus” (zeugma)
Polissíndeto x assíndeto Um repete os conectivos; o outro os omite “E ria, e cantava, e dançava” x “Ria, cantava, dançava”
Anáfora x epístrofe A anáfora repete no início; a epístrofe, no fim “Nosso céu…, nossas várzeas…” x “… na cidade. … na cidade.”
Aliteração x assonância A aliteração repete consoantes; a assonância, vogais “O peito do pé de Pedro” x “A casa da Ana”
Pleonasmo x vício de linguagem O pleonasmo literário tem função expressiva; o vicioso é só repetição “Vi com meus próprios olhos” x “Subir para cima”

Figuras de linguagem x vícios de linguagem

As figuras de linguagem são desvios intencionais, que dão expressividade ao texto; os vícios de linguagem são desvios não intencionais, que prejudicam a clareza. Os vícios mais comuns são:

  • ambiguidade ou anfibologia: duplo sentido não intencional, como em “Carlos disse a Antônio que sua mãe havia chegado” (a mãe de quem?);
  • pleonasmo vicioso: repetição sem função, como “entrar para dentro” ou “elo de ligação”;
  • cacofonia: som desagradável ou ridículo na junção de palavras, como em “boca dela”;
  • eco: repetição de sons iguais no fim das palavras, como em “a solução da questão da nação”;
  • barbarismo: erro de grafia, pronúncia ou significado, como “poblema”;
  • solecismo: erro de sintaxe, como em “fazem dois anos” (em vez de “faz dois anos”).

A ambiguidade, porém, pode ser usada de propósito, como em piadas e propagandas com duplo sentido. Nesses casos, ela deixa de ser vício e passa a ser recurso expressivo. Um editor de texto ajuda a encontrar repetições e vícios na revisão.

Como identificar figuras de linguagem em um texto?

Para identificar uma figura de linguagem, observe se a frase foge do sentido literal, da ordem comum ou da sonoridade habitual, e descubra qual efeito esse desvio cria. Na prática, siga estes passos:

  1. Leia a frase em voz alta e veja se ela faz sentido no sentido literal.
  2. Se não fizer, procure palavras usadas em sentido figurado (figuras de palavras e de pensamento).
  3. Veja se há exagero, suavização, contraste ou ironia.
  4. Observe a estrutura: há termos omitidos, repetidos ou fora da ordem direta? (figuras de sintaxe)
  5. Repare nos sons: há repetição de consoantes, vogais ou palavras parecidas? (figuras de som)
  6. Pergunte qual é o efeito pretendido (ênfase, humor, crítica, ritmo) e confirme a figura.

Uma mesma frase pode ter mais de uma figura ao mesmo tempo. O verso “Amor é fogo que arde sem se ver”, de Camões, por exemplo, tem metáfora e paradoxo.

Exercícios de figuras de linguagem com gabarito

Para fixar o conteúdo, identifique a figura de linguagem principal em cada frase. As respostas comentadas estão logo abaixo dos exercícios.

  1. “Esperei uma eternidade na fila do banco.”
  2. “Meu coração é um jardim depois da chuva.”
  3. “Ela corria rápida como um raio.”
  4. “O vento cantava nas frestas da janela.”
  5. “Entre risos e lágrimas, ela terminou o curso.”
  6. “Bebi dois copos de suco antes de sair.”
  7. “No céu, nenhuma nuvem.”
  8. “Acordou, tomou café, saiu correndo.”
  9. “O rato roeu a roupa do rei de Roma.”
  10. “Sentiu uma alegre tristeza ao se despedir.”

Gabarito comentado

  1. Hipérbole. “Uma eternidade” é um exagero proposital para enfatizar que a espera foi longa.
  2. Metáfora. O coração é aproximado de um jardim sem conectivo, para sugerir alívio e renovação.
  3. Comparação ou símile. A semelhança com o raio é feita de forma explícita, com o conectivo “como”.
  4. Personificação ou prosopopeia. Cantar é uma ação humana atribuída ao vento.
  5. Antítese. “Risos” e “lágrimas” são ideias opostas aproximadas para reforçar o contraste.
  6. Metonímia. “Copos” está no lugar do conteúdo, o suco: é a relação de recipiente pelo conteúdo.
  7. Elipse. O verbo “havia” foi omitido e é fácil de recuperar pelo contexto.
  8. Assíndeto. As ações aparecem em sequência, sem conectivos como “e”.
  9. Aliteração. O som consonantal do “r” se repete em quase todas as palavras.
  10. Paradoxo (oxímoro). “Alegre” e “tristeza” se contradizem lado a lado e criam um sentido que faz pensar.

Figuras de linguagem na comunicação e nas vendas

Fora da escola e da literatura, as figuras de linguagem ajudam a explicar ideias complexas, criar conexão emocional e tornar uma mensagem mais fácil de lembrar. Por isso, aparecem em discursos, propagandas, aulas e posts.

Na comunicação de quem produz conteúdo, uma metáfora bem escolhida transforma um conceito técnico em algo concreto, e uma analogia ajuda o público a entender um assunto difícil, como novas tecnologias, e a interagir mais com o conteúdo. Em blogposts, vídeos e redes sociais, esse recurso aumenta a interação com o público e reforça os argumentos.

Na hora de vender, as figuras ajudam a mostrar a transformação que um produto oferece e a persuadir com mais naturalidade, desde que o texto continue claro e honesto.

Como usar figuras de linguagem em copy e páginas de vendas

Em textos de venda, as figuras de linguagem funcionam melhor quando reforçam um benefício real e deixam a mensagem mais clara, e não quando enfeitam o texto. Veja como usar as principais:

Figura Como usar na venda Exemplo
Metáfora e analogia Explicar o método ou o produto com uma imagem conhecida “Este curso é o mapa para organizar suas finanças.”
Antítese Mostrar o antes e o depois “Saia do improviso e chegue ao planejamento.”
Anáfora Dar ritmo a títulos e listas de benefícios “Mais clareza. Mais organização. Mais tempo para você.”
Gradação Apresentar a evolução do aluno em etapas “Primeiro você entende, depois aplica e, por fim, ensina.”
Eufemismo Falar de dores e dificuldades com respeito “Para quem está recomeçando” em vez de “para quem fracassou”
Aliteração Criar nomes de produtos e chamadas fáceis de lembrar “Planeje, poupe e prospere.”
Apóstrofe Falar diretamente com o leitor “Você, que vive deixando tudo para depois, este guia é para você.”

A hipérbole pede atenção extra: exageros evidentes, como “um mar de ideias”, funcionam bem, mas promessas como “fique rico em uma semana” podem enganar o consumidor e ferem a confiança. Para aprofundar, veja o guia de copywriting e como criar uma boa chamada para ação.

Figuras de linguagem em roteiros de vídeo e redes sociais

Em vídeos e posts, as figuras de linguagem ajudam a prender a atenção nos primeiros segundos e a deixar a mensagem mais fácil de lembrar e compartilhar. Algumas aplicações práticas:

  • ganchos com antítese ou paradoxo, como “Quanto menos você posta, mais você cresce? Depende.”;
  • metáforas em títulos e capas, que criam curiosidade sem entregar tudo;
  • onomatopeias em legendas e vídeos curtos, que dão ritmo e humor;
  • personificação em histórias que seguem a jornada do herói, como “a planilha que vivia reclamando de você”;
  • anáfora em falas de abertura e encerramento, para criar uma marca verbal;
  • gradação para conduzir a narrativa até a chamada para ação.

Ao montar o roteiro de um vídeo, escolha uma ou duas figuras por trecho: o excesso deixa a mensagem confusa. Para mais dicas de escrita para a internet, veja como produzir conteúdo para a web.

Use as figuras de linguagem a seu favor

As figuras de linguagem tornam a escrita mais criativa, expressiva e fácil de lembrar, seja em uma redação, em um poema ou em uma página de vendas. Conhecer cada uma ajuda a interpretar melhor o que você lê e a escolher o recurso certo para o que você quer dizer.

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Quantas figuras de linguagem existem?

Não há um número fixo. Cada gramática organiza a lista de um jeito, e algumas figuras aparecem com nomes diferentes ou dentro de outras. O que todas têm em comum é a divisão em quatro grupos: palavras, pensamento, sintaxe e som.

Figura de linguagem e figura de estilo são a mesma coisa?

Sim. Os dois nomes são usados como sinônimos, assim como "recurso estilístico". As figuras de palavras também são chamadas de tropos.

Qual a diferença entre figuras de linguagem e funções da linguagem?

As figuras de linguagem são recursos de expressão dentro de uma frase; as funções da linguagem dizem respeito ao objetivo de um texto inteiro, como informar (função referencial), convencer (função conativa) ou emocionar (função emotiva).

Figuras de linguagem caem no Enem e em vestibulares?

Sim, geralmente em questões de interpretação de texto. Mais do que decorar nomes, essas provas costumam pedir que o estudante reconheça o efeito de sentido que a figura cria no texto.